Caminhemos juntos pela longa rua
Ah! que poesia maravilhosa
É caminhar junto a alguém por uma longa rua
No silêncio brando da existência
Até perder-se de tudo, por completo
Caminhemos, portanto
Juntos pela longa rua
Que se estende dentro do poema
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
domingo, 21 de novembro de 2010
À memória do homem, que morre
Penso de repente num homem que nem existia
Ou talvez existisse, não sei
E em algum lugar do mundo chegou à sua casa às duas e meia da madrugada
Confuso e cansado, sentou-se à mesa da sala
Nos olhos povoava-lhe o pavor de não existir
Sentiu-se inconsistente, como se fosse apenas uma lembrança
Tentou reconhecer a casa
Pensou que no quarto ao lado
Uma bela esposa deveria esperar por ele envolta em macios sonhos
Mas não teve coragem de conferir
De súbito encolheu-se na cadeira apavorado
Sentiu por um momento que seu mundo todo desabava, estilhaçava-se e se desfazia
Seus olhos pesaram, embaçados pelo sono. Um profundo sono
Divisou algumas manchas preenchendo um quadro na parede, porém sem nitidez
Pensou serem pessoas
Ou paisagens, ou medos, ou sombras, ou dor
Sentia a cabeça pender e a consciência sumir lentamente
Suas pesadas mãos agarravam a toalha da mesa
Mas, sem que ele percebesse, os dedos grossos do homem moribundo
Começaram a tamborilar no tampo uma suave música
Talvez muito antiga, talvez nem houvesse sido composta
Mas era uma melodia realmente bela e plangente
A que suas mão s lançavam ao ar com desespero mudo
Era como um grito, um protesto contra o sumiço lento do homem dentro da noite solitária
No outro dia não o encontrariam, nem o iriam procurar
As sombras do esquecimento iriam de certo devorá-lo
Como a todos fazem cedo ou tarde
Eu não me lembro mais dele agora, sua figura, seu rosto, suas cores acabam de sumir da minha mente
Mas aquela música...
Ainda posso ouvi-la embalando meus sonhos mais tranquilos.
Ou talvez existisse, não sei
E em algum lugar do mundo chegou à sua casa às duas e meia da madrugada
Confuso e cansado, sentou-se à mesa da sala
Nos olhos povoava-lhe o pavor de não existir
Sentiu-se inconsistente, como se fosse apenas uma lembrança
Tentou reconhecer a casa
Pensou que no quarto ao lado
Uma bela esposa deveria esperar por ele envolta em macios sonhos
Mas não teve coragem de conferir
De súbito encolheu-se na cadeira apavorado
Sentiu por um momento que seu mundo todo desabava, estilhaçava-se e se desfazia
Seus olhos pesaram, embaçados pelo sono. Um profundo sono
Divisou algumas manchas preenchendo um quadro na parede, porém sem nitidez
Pensou serem pessoas
Ou paisagens, ou medos, ou sombras, ou dor
Sentia a cabeça pender e a consciência sumir lentamente
Suas pesadas mãos agarravam a toalha da mesa
Mas, sem que ele percebesse, os dedos grossos do homem moribundo
Começaram a tamborilar no tampo uma suave música
Talvez muito antiga, talvez nem houvesse sido composta
Mas era uma melodia realmente bela e plangente
A que suas mão s lançavam ao ar com desespero mudo
Era como um grito, um protesto contra o sumiço lento do homem dentro da noite solitária
No outro dia não o encontrariam, nem o iriam procurar
As sombras do esquecimento iriam de certo devorá-lo
Como a todos fazem cedo ou tarde
Eu não me lembro mais dele agora, sua figura, seu rosto, suas cores acabam de sumir da minha mente
Mas aquela música...
Ainda posso ouvi-la embalando meus sonhos mais tranquilos.
língua Morta
Hoje fui visitado pelos resquícios de uma língua morta
- In Pace Requiescat!
Como é triste a morte de uma língua
Mundos de palavras que com ela tombam
Sentimentos que só em seu seio nasciam
Que só ela traduzia e agora pairam no nada
Pessoas a quem deu à luz, sumiram com ela
Reinos que construiu, sumiram com ela
A morte de uma língua
É como a morte de um deus!
- In Pace Requiescat!
Como é triste a morte de uma língua
Mundos de palavras que com ela tombam
Sentimentos que só em seu seio nasciam
Que só ela traduzia e agora pairam no nada
Pessoas a quem deu à luz, sumiram com ela
Reinos que construiu, sumiram com ela
A morte de uma língua
É como a morte de um deus!
Flores e borboletas
Ah! como somos excêntricos
nós, os pretensos poetas
que mais nos comove
o fenecer suave de uma flor
ou o cessar abrupto
do voo de uma borboleta
que o ceifar cotidiano de milhares de vidas humanas
este nos acomete
mais como um soluço na alma
que um espanto propriamente dito
por isso eu te imploro:
acabe com a humanidade inteira se quiser
mas por favor
poupe as flores e as borboletas!
nós, os pretensos poetas
que mais nos comove
o fenecer suave de uma flor
ou o cessar abrupto
do voo de uma borboleta
que o ceifar cotidiano de milhares de vidas humanas
este nos acomete
mais como um soluço na alma
que um espanto propriamente dito
por isso eu te imploro:
acabe com a humanidade inteira se quiser
mas por favor
poupe as flores e as borboletas!
domingo, 24 de outubro de 2010
Como nasce a poesia
Como nasce a poesia?
Já no peito do poeta
A sua promessa faz-se fato-feto
Fecundo e explosão e prenúncio
Mas de onde vem e de que matéria se forma?
Seria ela o prórpio poeta
A declamar-se por línguas de fogo indecifráveis?
Ou por acaso a boca
Que o deglute e tritura
E grita sempre
E sempre ao seu ouvido palavras incompreensíveis?
Seria então aquilo que ele vê
Além do que ele vê
E que o reflete mundo e imundo
E que lhe fende as retinas e rotinas
E que lhe rompe as múltiplas amarras da alma?
Nasce ela talvez desse encanto
Desse encontro e desencontro
Que ocorre quando o mundo se choca
Contra o mundo confuso do poeta
Nasce talvez do prórpio espanto imenso de nascer
E desse encanto e encontro e desencontro.
Já no peito do poeta
A sua promessa faz-se fato-feto
Fecundo e explosão e prenúncio
Mas de onde vem e de que matéria se forma?
Seria ela o prórpio poeta
A declamar-se por línguas de fogo indecifráveis?
Ou por acaso a boca
Que o deglute e tritura
E grita sempre
E sempre ao seu ouvido palavras incompreensíveis?
Seria então aquilo que ele vê
Além do que ele vê
E que o reflete mundo e imundo
E que lhe fende as retinas e rotinas
E que lhe rompe as múltiplas amarras da alma?
Nasce ela talvez desse encanto
Desse encontro e desencontro
Que ocorre quando o mundo se choca
Contra o mundo confuso do poeta
Nasce talvez do prórpio espanto imenso de nascer
E desse encanto e encontro e desencontro.
Curta Metragem
Atenção!
Em meio à praça
Em meio a luzes e manchas humanas
Que infestam barulhentamente a praça
Da árvore, daquela flor na árvore
Uma pétala cai
Mas não cai, dança com o vento
Só ela e o vento
O tempo passa e a toca
Os sons, as cores confusas da tarde,
Meus olhos passam e a tocam
Mas ela não se importa
Prossegue dançando distraída
Como se nada mais existisse no mundo
Só ela e o vento...
Em meio à praça
Em meio a luzes e manchas humanas
Que infestam barulhentamente a praça
Da árvore, daquela flor na árvore
Uma pétala cai
Mas não cai, dança com o vento
Só ela e o vento
O tempo passa e a toca
Os sons, as cores confusas da tarde,
Meus olhos passam e a tocam
Mas ela não se importa
Prossegue dançando distraída
Como se nada mais existisse no mundo
Só ela e o vento...
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Grito da figueia fronda
Antes do inaudível grito
Grito
Depois persisto suspenso em tecitura curva
Da carne sua saborosa
Suspenso e absurdo grito
Sob galhos de figueira fronda
Entre fragmentos de vida abrasadora
Me estilhaço em brancuras diluídas
E mastigo pomos do desejo
Abaixo
Nossos corpos se dissolvem
Em vis volúpias desveladas
Sobre a relva fresca
Acima
Nuvens cantam canções visuais
A luz do sol explode
Em nossos rostos retesos e repletos
Em nossos corpos curvos e retos
E bocas deglutem essências carnais
Com mordeduras supranaturais
Enquanto um sorriso abafado pende
(Grito proscrito)
Inaudível da figueira fronda.
Grito
Depois persisto suspenso em tecitura curva
Da carne sua saborosa
Suspenso e absurdo grito
Sob galhos de figueira fronda
Entre fragmentos de vida abrasadora
Me estilhaço em brancuras diluídas
E mastigo pomos do desejo
Abaixo
Nossos corpos se dissolvem
Em vis volúpias desveladas
Sobre a relva fresca
Acima
Nuvens cantam canções visuais
A luz do sol explode
Em nossos rostos retesos e repletos
Em nossos corpos curvos e retos
E bocas deglutem essências carnais
Com mordeduras supranaturais
Enquanto um sorriso abafado pende
(Grito proscrito)
Inaudível da figueira fronda.
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